DEMOLIÇÕES CHEGARAM AOS HANGARES

Perto das 7h00 da manhã de hoje chegaram ao núcleo dos Hangares, na ilha da Culatra, Ria Formosa, os batelões de transporte das máquinas para derrubarem cerca de 14 edificações neste núcleo habitacional histórico da I Guerra Mundial.

O processo, a cargo de uma empresa algarvia, tudo idêntico ao que aconteceu no núcleo do Farol, na mesma ilha, há cerca de duas semanas, executado por uma empresa espanhola, impressiona os moradores pela espectacularidade das máquinas em manobras de demolição e recolha de entulhos.

Os moradores das habitações que não serão abrangidas pelas demolições, hoje na zona nascente e amanha na poente dos Hangares, são obrigados pela Polícia Marítima, que deslocou cerca de 40 agentes para garantir a segurança de trabalhadores e moradores no perímetro dos trabalhos, a saírem de suas casas e só regressarem a partir das 17h00, quando as demolições do dia são suspensas.

O comandante Pedro Palma, relações públicas da Marinha, enalteceu a “forma cordata como os moradores se têm comportado e a excelente colaboração com a Associação de Moradores dos Hangares para que tudo corra bem nestes três dias previstos de demolições nos Hangares”.

Já o mariscador e viveirista José Lézinho, presidente da Associação de Moradores dos Hangares, não escondeu a sua “enorme mágoa por vermos serem demolidas cerca de 10 por cento das casas do núcleo, mas não conseguimos que nesta faixa dos 40 metros da maré cheia da Ria Formosa estas habitações fossem abrangidas por providências cautelares”.

“Agora só nos resta esperar pelo início e boa conclusão das negociações de revisão do POOC – Plano de Ordenamento da Orla Costeira – Vilamoura, Vila Real de Stº. António, com as diversas entidades ligadas ao ambiente e as respectivas autarquias, até porque agora temos um excelente diálogo com a nova administração da Polis, o que não acontecia com a anterior”. Salientou Lézinho.

E para que não restem dúvidas sobre as intenções das associações e moradores da Ilha da Culatra (núcleos dos Hangares e Farol) nas negociações que se avizinham, José Lézinho adverte desde já: “Além de querermos ver o fim do artigo 37 do POOC, que prevê a renaturalização dos núcleos, substituído por um que preveja a requalificação, não vamos pedir nem exigir nada mais nem menos do que acontece e já foi concedido aos outros núcleos habitacionais da Ria Formosa (referência aos núcleos da Culatra e Armona), queremos tratamento de igualdade”, rematou o dirigente associativo ilhéu.

Manuel Luís – t e f

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